If

We

Just

Stopped

Trying?

Massive Attack, São Paulo – 13 de novembro de 2025

O eterno fim de semana no parque

Fé em deus, que ele é justo, meu irmão

Nunca se esqueça. 

Na guarda, guerreiro, levanta a cabeça.

Truta, onde estiver, seja lá como for. 

Tenha fé. 

Porque até no lixão nasce flor. 

*

Firmão, segue quente.

Licença aqui. Desculpa aí. 

Eu me sinto às vezes, meio pá, inseguro, que nem um vira-lata, sem fé no futuro

*

Vem alguém lá. Quem será, quem será. 

A confiança é uma mulher ingrata (…) cão de b.. e saia. 

Sem culpa e sem chance.

Tenta abrir a boca, ia nessa sem saber, cê vê, vida loka… 

Impostor… passa por malandro. 

*

A inveja existe. De cada dez, cinco é na maldade. 

A mãe do pecado, capital é a vaidade. 

*

Verme é verme, é o que é.

Rastejando no chão, sempre embaixo do pé. 

*

Sou guerreiro do Rap, sempre em alta voltagem.

Um por um.

Deus por nós.

Tô aqui de passagem. 

*

Fala uma, duas, três.

Na quarta, xeque-mate — que nem no xadrez.

Eu não tenho dom pra vítima. 

Justiça e liberdade. A causa é legítima. 

Meu rap faz o cântico, dos loucos e dos românticos. 

Vou no sorriso de criança onde eu for. 

*

Pros parceiro, eu tenho a oferecer minha presença.

Talvez até confusa,

Mas leal e intensa.

*

É o ponto que eu peço. 

Favela e fundão.

Imortal nos meus versos. 

*

Vida loka – Racionais. Parte 1- A poesia e cura da periferia de São Paulo

Just a little help from my friends

Me & Freud

Me & Karl Marx, leading the revolution

P.S.: Presentinhus do Geoffrey Scarmelote, que se diverte com minhas fotos na IA.

O estado poético – journal entry

Depois de uma noite mal dormida, duas reuniões, uma disciplina de quatro horas, lembrar que não almocei, olhar o esmalte da unha lascado, o batom ainda na boca, talvez tenha escovado os dentes com vinho, o amigo que separou e mora em um flat e redescobriu a fantasia, o amigo que teve mais uma recaída, a minha própria fraqueza, a dor que esbarra na insegurança dos outros e todas essas coisas que não são amor. O estado poético de deito na não-relva, não sei a verdade e não sou feliz. O aluno que diz que foi viciado em crack. E vc lembra da universidade pública e das cotas e da beleza de tudo isso. E da luta política tão cansativa. E do resultado, pífio, que vem só no tempo histórico. E desse fluxo de pessoas que sabem amar e que, às vezes, isso te atravessa. Esse estado de (en)mavarilhosamento à-la-Guimarães Rosa. O belo é o umbral.  E vc sai e vê a pobreza. E dá essa vontade de morrer. E nada é tão belo assim. Vc lembra da antiga professora da USP que dizia pra não usar a classe trabalhadora como LSD. E isso tudo é tão cansativo. E também não é. Me sinto viva. E outras pessoas são luminosas. Voltei pra casa em estado de flight. Encontrei um amigo em um date de app no bar da esquina. Disse “desculpa atrapalhar o que talvez seja um date”. E a sutileza de olhares meso-constrangindos porque voilá. Dia bom. Esse estado poético sem rima, confuso, que não seria possível sem a luz-sombra de ustedes. Deito na cama. Alguém grita. Vai curintia! Dou uma gargalhada e penso que gostaria de estar bêbada-chapada. O amanhã? Um perspectivismo semiótico sem importância. Me vem à memória aquele emoji de olhos arregalados. Esse abaixo. Maybe.

Só que sorrindo.

Bar da Monica

Atravessar a comunidade

Pra chegar nessa décima maravilha

Em cima, o crack corre solto entre as galinhas

Tem lugar pra todo mundo

Pra drogado, puta, criança e até pra gringo

*

Lembro de ler um poema do Vladimir Maiakovski

Que dizia

“Em algum lugar, dizem que no Brasil, há um homem feliz”

Ele só esqueceu de acrescentar

Que esse lugar é Salvador, Bahia.

*

Tem o riso solto que te desmancha

O nó daquele que ama

Encantada com os seus problemas

A cidade cuja lágrima se materializa em poemas

O milagre?

Alguém te desejar o bem

A escolha profunda

Que não vem da troca

Mas de ser quem se é

E a coragem

De ofertar

O que não recebeu

E até o que se acha que não se tem

Igreja Nossa Senhora dos Pretos, 1705

A Bahia

Sem poesia cantada

Aqui a luz reluz em muitos

Não são necessárias palavras 

Se há um lugar feliz

Eu diria que é aqui.

Obrigada pela cura

Não sabia que havia busca

Mas encontrei.

Uma quinta

Um drink

Boa musica

E São Paulo.

Alguém disse

Sonhar não é proibido.

Terei uma opinião sobre isso no futuro?

Certamente não agora.

A IA simplesmente inferiu* que a referência sutil seria o panóptico?

* inferência probabilística, não lógica.